Escreve as memórias que queres arquivar, de quem queres honrar!

29 memórias

  1. admin Post author

    Com saudades do meu avô, que me saudava sempre com um delicioso bom dia princezinha 🙂

  2. admin Post author

    O avô não falava muito. Lembro-me dele entretido com o jardim ou na oficina. Demorava horas a regar os canteiros ao fim do dia. Demorava dias a tentar arranjar um rádio ou a máquina de café. Descia as escadas de caracol várias vezes até a reparação ser impossível, anos após ter sido comprada

    Eu conheço alguns silêncios. O dele, era leve. Todo ele era leve. Simples

    A engraxar os sapatos, a fazer a cama, a pôr a roupa da piscina a secar. Os olhos brilhavam quando se sentava a tomar o pequeno-almoço, o almoço ou o jantar. A comida fazia-o feliz.

    O silêncio era interrompido por assobios. Foi assim durante muito tempo. O assobio era forte, cantado, e invadia toda a casa. Quando ouço alguém a assobiar lembro-me dele.

    O silêncio desaparecia em festas. Aí ele transformava-se: gargalhadas fortes, gestos longos, marotice. Dançava muito. Libertava a energia que acumulava ao longo dos dias.

    Demorava muito tempo a arranjar-se para sair de casa. A arrumar a cozinha, a vestir-se. À conta disso, numa véspera apanhei-o em flagrante a vestir-se de Pai Natal. Fechou-me a porta, disse “Vai embora”, mas eu já sabia

    Estas duas riquezas, o tempo e a energia, ele tinha em excesso. E dava-nos. Ofereceu-nos. Deu-nas desde o início e até as começar a perder.

    Ia nos buscar demasiadas vezes à escola ou quando precisavamos de alguma boleia. Via filmes connosco e mostrava-nos onde rir. Apanhavamos búzios e carangueijos quando íamos à praia no Porto. Atirava-nos água antes de mergulharmos quando íamos à praia em Ofir. Punha-nos a cantar. “Ai melão, que rico melãolão”.

    Teve uma vida de trabalho, mas não nos apercebemos disso. Eu só me apercebi a ver gravações passadas que ele estava sempre presente. Não precisava de saber, quando ouvia o meu português de 3 anos incensante a falar sobre animais, sem se queixar. Quando pegava em mim ao colo para cantar os parabéns.

    Tempo e energia – tive-os por completo, sem ter que agradecer

  3. admin Post author

    A minha avó é o meu modelo de vida. Para além de fazer o melhor arroz doce de todos ensinou-me, desde cedo, a ser perseverante e a não desistir por mais obstáculos que aparecessem na frente. Foi mãe solteira numa família sem posses, às duas semanas após a gravidez foi trabalhar para as obras porque em mais nenhum lado encontrou trabalho. Levando o almoço regido pelos recursos que naquela altura escasseavam era capaz de ainda guardar a sobremesa, quase sempre fruta, para a dar à filha quando chegasse a casa. Sendo maltratada pela sociedade por ser mãe solteira, por o pai não assumir a paternidade, continuou a ter esperança na bondade da humanidade e hoje é ela que ajuda quem mais precisa sempre que pode. Todos os dias aprendo com ela e com a sua história, é a minha guerreira.

  4. admin Post author

    A minha avó já faleceu à dois anos, mas as memórias dela continuam frescas na minha cabeça e no meu coração. A primeira vez que andei de comboio, quando ela me levou ao Porto para comprar roupa. A primeira vez que cozinhei, quando ela me deixou ajudar a fazer rabandas para o natal. Estar ao colo dela a aprender palavras aleatórias em Inglês, eu a apontar para uma e ela a dizer o significado. Segurar na cabeçabeca dela e fazer festinhas, enquanto ela dava os ultimos fôlegos, o calor do sangue dela a causar fumo no ar frio de Dezembro enquanto o assaltante desparecia pela esquina. Os gritos do meu pai a descobrir o corpo da minha mãe pendurado no teto na tarde do funeral da minha avó, a segurar no retrato dela. A voz dela, suave e cheia de amor, a sussurrar à noite a beira da minha cama, a contar-me como está o avô, a mãe e outras pessoas, todos os dias sem falta nos últimos 2 anos. Adoro-te avó!

  5. admin Post author

    Quando era pequena, e agora, os Domingos são dias de ir para casa da avó. Que há 9 anos atrás também era do bubu. Continua a ser, só já não tenho o previlegio de o ver e o poder abraçar tão firmemente como gostava. Hoje partilho uma das maiores memórias que tenho com o meu querido bubu. A linha de comboio fica apenas a 20 passos de casa. Caminhava de mão dada, ou mais à frente sempre do lado de dentro, mas ao seu lado. Não deixava que nada me acontecesse. (acredito que ainda hoje faça de tudo para que tal não se passe). Ficávamos ali os dois sentados, com o cheirinho característico da linha férrea a contar quantos comboios passavam. Ficava fascinada com os apitos e o corre corre. E o bubu ficava ali. Ao meu lado, sentado, a apreciar os meus jeitos e sem se aperceber a mudar e a moldar quem eu hoje sou. Esta é uma das histórias do bubu. E de todos os comboios e pessoas a quem acenei sentada na Estação de Comboios da Granja.

  6. admin Post author

    Ainda sinto o sabor do café naqueles fins da tarde de domingo. Aquele café de cafeteira que nao consigo beber em mais lado nenhum mas que ali era perfeito. (…)
    A vida por vezes distrai-nos do que realmente importa, mas a joinha nunca esquecerei.
    Os domingos foram ficando mais raros, talvez por falta de consciencia que o tempo estaria a perder-se.
    A minha avo paterna esta no meu coracao. E tal como ela, o café, as bolachas maria, as macas, o arroz, e aqueles olhos azuis que se perdiam quando sorria.

  7. admin Post author

    Cresci com as roupas que a minha avó paterna me fazia e com os poemas que o meu avô paterno escrevia para eu os cantar enquanto ele tocava guitarra portuguesa. Cresci com a melhor sopa de beldroegas e com a melhor canja da minha avó materna e com as aventuras mirabolantes e toda a compreensão e paciência do mundo do meu avô materno. Entrámos juntos na fase em que a vida os tira de mim e os deixa longe, noutro mundo talvez, com dores nas pernas e onde o cabelo já não tem jeito nenhum para sair à rua, sem deixar que eu o impeça. Sem nos apercebermos, ou até mesmo com consciência, despedimo-nos todos os dias porque sabemos o inevitável. O que eu mais gostava era eternizá-los, escrevo-lhes e espero que as minhas palavras os acompanhem quer no cadeirão ao meu lado ou num outro local do universo, decerto. Bonito como Eles.
    Um beijo avó Rita e avô Inácio. Um beijo avó Zé e avô Augusto. Ninguém foi mais importante no meu crescimento do que vocês

  8. admin Post author

    Do meu avô tenho a voz eternalizada a dizer “oh, minha cara linda”, tenho os passeios à beira rio enquanto dávamos de comer aos patos e as tardes passadas a brincar aos vendedores e comerciantes. O meu avô, sempre gentil e bem disposto, que nada o chateava porque a vida é curta demais para nos chatearmos. Trago comigo estas e outras memórias, mas acima de tudo, todo o seu amor. Avô, até já.

  9. admin Post author

    Os meus outros avós também estão aqui ao meu lado, porque as heranças que me deixaram enchem-me de saudades, e saudade é uma palavra que significa proximidade. Vou contar a herança de um e depois falaremos dos outros. O meu avô Sebastião era um funcionário de um Tribunal e foi sempre um monárquico muito convicto. A quando da fundação da Repúblico os funcionários do Tribunal foram obrigados a ajoelharem-se e beijarem a nova bandeira de País. Todos cumpriram essa ordem menos o meu avô, que mesmo ameaçado de prisão e de ficar sem emprego, preferiu a cadeia a abdicar dos seus princípios. Que herança mais rica me poderia deixar?

  10. admin Post author

    Dos meus quatro avós só conheci a minha avó paterna, uma mulher rara e muito especial que continua ma minha memória como se estivesse agora mesmo a tocar-lhe com os meus dedos, aninhado debaixo daquela manta que tinha sobre os joelhos, como um pintainho sob as asas da mãe galinha. Quando fazia uma tolice era para aquele ninho que desatava a correr, e quando o meu pai com cara de zangado me ia lá buscar ela apressava-se a dizer-lhje: já falei com ele e não volta a fazer isso

  11. admin Post author

    Ouvir a minha avó, enquanto mete uma nota de 10 debaixo da porta do quarto, a dizer-me para ir lanchar e comprar um gelado. Avós.

  12. admin Post author

    “Uma, laduna, latena, catena, sumala, badala, tintim, carrapim, conta bem que são dez!”

    uma lenga-lenga que a minha avó me cantava e que eu quero muito não me esquecer para cantar também aos meus netos 🙂

  13. admin Post author

    Não tive uma natural e convencional vivência com os meus avós por diferentes razões: porque vivia (muito) longe deles e uma delas faleceu muito nova.

    A distância física explica a falta de oportunidade de encontro (não existiam as facilidades tecnológicas de comunicação de hoje) e mesmo assim tenho (vagas) memórias. Cada uma diferente da outra: do pai da minha mãe pela sua imponente aparência física, talvez porque eu à época era realmente uma criança; do pai do meu pai, mais modesto na aparência, guardo o sorriso na sua esbelta magreza e a barba por fazer; da mãe do meu pai, aquela com quem tive mais contacto, guardo a imagem franzina vestida de negro, o xaile, e os cuidados dos meus pais com ela; da mãe da minha mãe de uma (única) imagem registada numa fotografia extrapulo ter sido uma mulher alta e bonita.

    Faz-me esta reflexão pensar que por vezes fugimos do que a vida nos quer dar, a proximidade e a oportunidade de viver os avós, e não posso deixar de pensar que há netos que crescem sem que possam ter o prazer sequer de os ter conhecido fisicamente, simplesmente porque a vida assim não lhes proporcionou essa oportunidade… nem a eles netos, nem a eles avós.

  14. admin Post author

    ” Papão Negro sai de cima do meu telhado,
    deixa os meninos dormir
    um soninho descansado. ”

    No tempo em que ainda era presente as balizas no sorriso, chegava o verão e com ele as sestas na casa da avó. Era certo que depois da praia e do banho de mangueira a moleza se apoderaria de mim e do meu irmão, não valia a pena contrariar. A avó sabida, esticava o lençol na cama que outrora havia sido da sua mãe, fechava as contras verdes das janelas e sentava-se ao nosso lado no lençol a cantarolar o Papão Negro. Eu sei que o Papão não é o melhor amigo das crianças mas vá-se lá entender a imaginação de uma menina de 4 anos, para mim ele era um grande limão com pernas e braços que se balanceava pelo telhado da garagem da minha avó na companhia dos gatos vagabundos. Hoje, eu não tenho medo deste limão, a avó ensinou-me bem como o mandar embora. Na verdade, somos bastante amigos! Eu, ele e a avó. Quando chegar o verão em que as contras verdes já não serão fechadas e o lençol esticado, eu sei, que o papão vai chegar e cantarolará para mim. Enquanto a canção durar as contras serão sempre fechadas e os lençóis sempre esticados.

    Obrigada avó por seres eterna.

  15. admin Post author

    Quanto tinha 5 anos, estava com a minha avó na cozinha, à espera enquanto ela preparava o almoço. Estava a fazer sardinhas para fritar. A certa altura cortou-se com uma faca. Fiquei assustada porque vi que ela estava a sangrar. Ela olhou para mim, com o ar mais natural do mundo e pegou numa sardinha: “Olha esta, está viva! Mordeu-me!”. E deu uma enorme gargalhada enquanto abanava a sardinha na mão! Desatamos as duas a rir na cozinha. A minha avó já faleceu há alguns anos. Mas lembro-me bem de como ela conseguia acalmar sempre quem estivesse desassossegado!

  16. admin Post author

    a minha avó vinha todos os fins de semana visitar-nos e ficava a dormir em casa dos meus tios – colada à minha. Aos domingos lanchávamos sempre juntos e depois ela ia embora, porque não gostava de conduzir de noite no escuro. Ainda me lembro de ouvir a voz da minha avó a despedir-se, a fechar o portão da casa, com aquele sorriso tão doce, dizendo “Adoro-te”, como se a sílaba tónica estivesse no “te”.

  17. admin Post author

    A minha avó tinha sempre leite morno preparado, numa taça que estava sempre escanada e cereais para eu escolher.
    Escolhia sempre os chocapics.
    Falavamos sobre a escola, como a tabuada não me entrava na cabeça, falavamos sobre como ela gostava de poder ter estudado e sobre como a vida é boa, quando se estuda.

    Hoje, escrevi um livro.
    Visitei-a no hospital, levei-lhe o livro e falei-lhe como é sobre sentar à mesa, partilhar uma refeição e falar sobra a vida.
    A minha avó quase não sabe ler
    mas saberá sentir o sabor das minhas palavras
    como cereais ao final de um dia de aulas.

  18. admin Post author

    Às vezes parece-me, ingenuamente, que os avós são pessoas velhas de espírito. Sei teoricamente que viveram muito, têm muita sabedoria por todas as experiências pelas quais passaram e aborreço-me. Aborreço-me, porque às vezes os avós só deixam essa ideia em nós, não nos mostram o que é saber viver. Felizmente percebi com o passar dos anos que para além da sabedoria que eles têm, se tiverem companhia e se sentirem bem no meio onde estão, são também como nós. Vivos e a aproveitarem o melhor que há na vida – o prazer. E é a viver neste estado de, por um lado calma (pela sua sapiência), por outro paixão (pelo que dá satisfação), que o meu avô me incutiu, e desenvolveu o sentido gastronómico. Por sua causa, a cozinha faz parte da minha alma. Por sua causa vejo o mundo de uma forma mais completa. Por minha causa, ele ainda vive como viveu durante grande parte da sua vida – entusiasmado. Não deixo uma memória do meu avô, deixo uma sugestão a todos os netos: incentivem todos os vossos avós que ainda existem a continuarem ou voltarem a viver com vida. Façamos com que os nossos avós criem mais memórias que um dia possamos recordar!

  19. admin Post author

    Perdi o meu avô no final do ano passado e custou-me imenso e ainda custa; mas não é isso que eu quero relembrar; do avô Jaquim recordo-me de quando eu era pequeno e ele todos os dias dava duas voltas enormes ao quarteirão comigo porque eu já conhecia o caminho para o colégio e começava a chorar porque não queria ir para lá.
    Por isso o vô Jaquim sei que está num ótimo sitio por causa de todas essas voltas.

  20. admin Post author

    Quando era criança a minha avó levava-me de fim-de-semana para o Gerês semana sim semana não. Partilhávamos sempre cama para poupar no aquecimento e a minha avó contava me histórias da sua infância para eu adormecer. Sempre que acabava uma eu pedia outra e a seguir outra, e ela com os olhos fechados a a voz cada vez mais baixa lá me ia contando uma atrás da outra, e eu lutava contra o sono na esperança de conseguir chegar ao fim de mais uma (só mais uma) história. Agora que penso nisso, nunca a minha avó me negou um história para adormecer.

  21. admin Post author

    Avós meus, exemplo de resistência. Sem nunca ter vivido aqueles tempos, aprendi e imaginei-me lá através da expressão e orgulho nas histórias que eles contam: desde os avós paternos e as suas aventuras em África aos avós maternos que fizeram frente ao fascismo a partir da ilha na qual viviam.

  22. admin Post author

    O meu avô costumava contar me a história da sopa de pedra. De todas as vezes a os ingredientes eram diferentes, mas a história era sempre a mesma. Fosse como fosse, eu queria sempre ouvir. Chegava a casa para almoçar e ninguém me deixava mudar de canal, então fazia de tudo para convencê-lo a contar me uma história, o monopólio de contos era curto, 3/4, 70% a história da sopa de pedra. “Era uma vez um peregrino que tinha tanta fome que ao passar numa vila decidiu arranjar maneira de comer. Pegou numa pedra e foi de casa em casa dizendo – com esta pedra vou fazer a melhor sopa que já experimentou, para isso só preciso de uma barata – na porta seguinte a cantilena repetia-se mas desta vez com um ingrediente diferente. Claro que no fim a sopa deve ter ficado deliciosa… a história pelo menos ficava

  23. admin Post author

    A avó Neninha gostava de limpar. De limpar os armários, o chão, a cozinha, as janelas, os tapetes. Era para estar tudo limpo e bonito. Lembro-me de, num almoço de família comentarmos que bonito era um palacete que tínhamos visto e como seria lá viver. Ao que disse a minha avó: “Ai, mas já viste que horror, limpar aquelas janelas todas?!”

  24. admin Post author

    Todos os domingos o avô vinha almoçar. No fim de comer perguntava-lhe com carinho, ‘Avô, queres café?’, de garganta seca do doce da sobremesa respondia, ‘Tem?’. No fim de comer, bebíamos sempre café.
    Amanhã é domingo e o avô não vem almoçar. No fim de comer, ainda bebo sempre café.

  25. admin Post author

    A minha avó perguntava-me quanto é que eu gostava dela, e eu respondia sempre até ao céu. Ela, “Só?”, “Até ao céu e dá mais uma voltinha, avó!”

  26. admin Post author

    A melhor memória que tenho com o meu avô é a de o ver a arranjar o jardim. Primeiro regava tudo, depois arrancava as ervas daninhas, depois as folhas que se escureciam. Plantava sardinheiras e flor-de-mel. No fim chegava-se atrás para ver como ficava, de luvas nas mãos. Felizmente a minha mãe faz exactamente o mesmo e não me deixa esquecer os jeitos que pareciam só dele.

  27. admin Post author

    Perdi os meus dois avós paternos em menos de dois anos. O meu avô era gerente de uma residencial, e sempre o que íamos visitar lá, ele ia à sala de jantar (vazia às horas que íamos), e “roubava” bonbons da Avianense para mim e para a minha irmã. Por estar tudo tão calmo e vazio nessas horas, sempre achei aquele lugar um sítio misterioso, como se o meu avô fosse o guardião de algo secreto.
    Da minha avó, a memória mais vívida é a da sopa servida em pratos cor de âmbar transparentes. Eu era uma criança que adorava sopa, e a da minha avó tinha um sabor especial. Ainda me lembro do cheiro da casa aos almoços. Há coisas que nunca se esquece.
    Penso muito neles, basta qualquer coisinha e a minha memória vagueia até eles.
    Já não estão comigo, mas estão.

  28. admin Post author

    Com saudades do meu avô, num conjunto de memórias arquivadas em mim mesma, deixo aqui uma que me faz olhar para trás e querem continuar. Quando era pequena sabia que todos os domingos ia fazer algo com o meu avô, passear, lanchar fora… A nossa relação era extraordinária! No entanto, o que para mim ficou mais gravado era os momentos desperdiçados que me tentava ensinar a desenhar, que eu tanto gostava. Tentava-me ensinar a desenhar “o olhar” e as suas expressões. Era exigente. Sabia do seu jeito mas não num todo, nunca falou sobre o assunto nem se fazia disso a sua profissão. Hoje em dia, estudo em belas artes, acho que o deixaria orgulhoso disso. Passado anos vim a descobrir uma quantidade imensurável de quadros que tinha reproduzido, retratos etc que nunca tinha mostrado antes… talvez era mesmo esse o objetivo, não o ver como alguém superior a mim e sim me guiar e orientar de forma a alcançar o pretendido à minha maneira. Saudades avô.